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ATENÇÃO: Por motivos financeiros, os organizadores deste estarão sem acesso à internet nos próximos meses. Para obter maiores informações ou para a inscrição ao grupo A&A, envie um email para ateueanticapitalistas-subscribe@yahoogrupos.com.br .

Atualmente, o site está hospedado pela organização constituída por dois servidores: www.autistici.org ou www.inventati.org. A proposta destes servidores pode ser lida em http://www.inventati.org/en/manifest.php (em inglês) Agora o fórum está disponível.

 

        Como é lúbugre presenciar neuróticos, afinal, a religião é uma neurose obsessiva universal; por todas as partes do planeta num estado deplorável de consciência e intelecto. Enumeramos aqui os dois mais importantes parasitas responsáveis pela manutenção desse estado: o capitalismo e a igreja. 

        Aos livres pensadores, sintam-se convidados a participarem do fórum e da lista de discussão.

        Àqueles que acreditam que as transnacionais primam pelo desenvolvimento técnico-científico de todos e que a Igreja Católica Inc. conforta os pobres e desconsolados, és demente. Talvez irreversível. Dispensamos emails insultuosos destas almas putrefatas.

        Tencionamos destaque à produção nacional de lixo para as massas, da astrologia a Rede Globo e suas infames novelas. Como discutido na comunidade A&A, o filme Além do Cidadão Kane ( http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260618.shtml ) deveria ser melhor assistido.

        Como disse Marcuse, "[...] Esses interesses não são difíceis de identificar, e a guerra contra eles não requer mísseis, bombas e napalm. Mas exige, efetivamente, algo que é muito mais difícil de produzir: a divulgação de conhecimento livres de censura e manipulação, consciência e, sobretudo, a recusa organizada em continuar trabalhando com os instrumentos materiais e intelectuais que estão sendo agora usados contra o homem - para a defesa da liberdade e prosperidade daqueles que dominam o resto."


        Sugestões ou críticas; clique aqui.

Ateus&AntiCapitalistas

 

http://www.tvcultura.com.br/provoca/
Provocações da TV Cultura


Se os Tubarões Fossem Homens
Bertold Brecht


Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos.

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.



Sobre o autor:
Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.

Poesia apresentada no programa 99 Os poemas e os textos lidos em "Provocações" são, às vezes, livre adaptação do original, por Antônio Abujamra ou Gregório Bacic. O formato em que se apresentam escritos aqui é apropriado para a leitura
em TV e não o seu formato original.